Saga O Povo do Ar vol.1

 

Resenha: "O Povo do Ar - O Príncipe Cruel" vol. 1 de Holly Black


LIVRO: O Povo do Ar - O Príncipe Cruel

AUTOR: Holly Black

ANO: 2022

PÁGINAS: 359

EDITORA: Galera

SINOPSE: Jude tinha apenas sete anos quando seus pais foram brutalmente assassinados e ela e as irmãs levadas para viver no traiçoeiro Reino das Fadas. Dez anos depois, tudo o que Jude quer é se encaixar, mesmo sendo uma garota mortal. Mas todos os feéricos parecem desprezar os humanos... Especialmente o príncipe Cardan, o mais jovem e mais perverso dos filhos do Grande Rei. Para conquistar o tão desejado lugar na corte, Jude precisa desafiar o príncipe — e enfrentar  as consequências do ato. A garota passa, então, a se envolver cada vez mais nos jogos do palácio, e acaba descobrindo a própria vocação para trapaças e derramamento de sangue. Mas quando uma traição ameaça afogar o Reino das Fadas em violência, Jude precisa arriscar tudo em uma perigosa aliança para salvar suas irmãs — e a própria Elfhame. Cercada por mentiras e pessoas que desejam destruí-la, Jude terá que descobrir o verdadeiro significado da palavra poder antes que seja tarde demais.


Como a própria sinopse diz, a história começa de maneira trágica: Jude e suas irmãs, Vivi e Taryn (sendo Taryn sua irmã gêmea), testemunham o assassinato brutal de seus pais, ocorrido sem um pingo de misericórdia. A mesma pessoa que matou seus pais é quem as leva para o Reino das Fadas.

Anos se passam desde esse início trágico, e agora vemos as irmãs vivendo no reino de Elfhame, entre os feéricos. Esses seres possuem uma beleza indescritível, magia e, acima de tudo, um humor cruel e sádico, que adora se aproveitar dos humanos e humilhá-los.

As fadas do universo criado por Holly Black são bem diferentes das que costumamos ver em outros livros. Aqui, os feéricos odeiam os humanos e amam enganá-los, recorrendo a barganhas que, à primeira vista, parecem boas, mas escondem más intenções, prendendo e escravizando aqueles que caem nelas. Além disso, enfeitiçam os humanos para que façam suas vontades, apenas para a diversão das fadas. É notável que elas são cruéis e não têm muito pudor, além de não serem padronizadas. Há uma enorme variação de espécies, o que evidencia tanto fadas de beleza exuberante quanto fadas de aparência assustadora.

O Reino das Fadas possui uma hierarquia semelhante à da era medieval e conta com diversas cortes, cada uma com seu próprio governante, espalhadas pelas florestas afora. Contudo, a maioria desses governantes serve ao Grande Rei de Elfhame, que manteve a ordem por centenas de anos.


Uma coisa que preciso dizer antes de dar a minha opinião é que, como o nome do livro sugere, o príncipe Cardan (mencionado na sinopse) é, de fato, cruel. Então não fique chocado com as ações dele ao longo da história, pois sua maldade já é anunciada no título. A segunda coisa que quero deixar bem clara é que o livro não é sobre romance e esse não é o foco da história, como algumas pessoas no TikTok afirmam. O foco está na disputa política, na guerra e na evolução da protagonista. O livro tem romance, sim, mas, como dizem, recebemos apenas migalhas dos casais apresentados — especialmente do casal principal.

A maneira como o universo foi escrito e como os personagens foram desenvolvidos é muito bem planejada. Todos os personagens foram — e continuam sendo — bem explorados ao longo do livro e das sequências. Holly Black não colocou personagens à toa; ela conseguiu dar profundidade a cada um deles, além de garantir que todos tenham uma função importante para amarrar a história. É possível sentir apego por uns e raiva por outros, e por isso digo que a autora soube dividir muito bem o tempo dado a cada personagem sem tirar o foco da protagonista.

E, falando na protagonista, preciso dizer que ela é maravilhosa. Ao mesmo tempo em que Jude se mostra forte, inteligente, perigosa e guerreira, ela também demonstra ser feminina, gentil (com quem merece) e possuir um grande coração — apesar de algumas vezes não parecer. A relação dela com o pai adotivo é bem conturbada, a vida escolar também não é fácil (já que Cardan e seus amigos não ajudam), e, mesmo assim, Jude tenta sempre dar o seu melhor para se encaixar naquele mundo fantástico.

Quanto a Cardan, o querido príncipe (nem tão querido assim) é realmente detestável e cruel, tornando a vida de Jude ainda mais complicada e fazendo jus ao título do livro. Porém, vemos que o comportamento dele é “normal”, considerando que muitos feéricos são como ele — ou até piores. A forma como o príncipe é tratado pela própria família também é mostrada, o que nos ajuda a entender um pouco melhor por que ele gosta de atormentar Jude. E, por mais que ele seja ruim, preciso admitir que ele vai se tornando carismático, e é por essa razão que muitos leitores acabam gostando dele.

Quanto às irmãs e à família da Jude, não vou me aprofundar porque minha opinião acabaria dando spoilers, e sinto que isso prejudicaria a experiência de quem está lendo ou pretende ler o livro pela primeira vez.

Recomendo esse livro para quem gosta de fantasia com pouco romance. Quem quiser ler apenas por causa do casal principal, achando que eles são o foco, vai se decepcionar, pois, como já disse, o romance não é o centro da história. Porém, a trama e os personagens fazem a leitura valer muito a pena. Assim que o livro termina, você fica com um gostinho de “quero mais”. Dito isso, pra mim o livro recebe 5 estrelas de 5.

Lembrando que essa é só a minha opinião e que tá tudo bem não concordar com o que foi dito aqui, e que caso comentem, sejam respeitosos.

Enfim, até a próxima, e lembre-se: Afie sua lâmina e proteja seu coração mortal!

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