Tetralogia Dragões de Éter vol. 4
Resenha: "Dragões de Éter - Estandarte de Névoa" vol. 4 de Raphael Draccon
LIVRO: Dragões de Éter - Estandarte de Névoa
AUTOR: Raphael Draccon
ANO: 2020
PÁGINAS: 511
EDITORA: Melhoramentos
SINOPSE: Nova Ether é um mundo protegido por poderosos avatares em forma de fadas-amazonas. Um dia, porém, cansadas das falhas dos seres racionais, algumas delas se voltam contra as antigas raças. E assim nasceu a Era Antiga. Hoje, Arzallum, o Maior dos Reinos, mantém Anísio Branford como o Rei dos Reis, e vive sua aguardada Era Nova por cinco anos. Coisas estranhas, contudo, parecem que jamais deixarão de acontecer... Um cavaleiro banido e odiado por todas as Ordens de Cavalaria, e um dos criminosos mais procurados do mundo, está próximo do encontro com a Virgem de Trigger, a mesma que acreditam ser destinada a gerar o novo Merlim. Dois irmãos precisam lidar com os últimos resquícios de seus antigos laços de magia negra, das sequelas da antiga arapuca de uma bruxa canibal a dívidas estabelecidas com entidades de morte. O novo capitão do lendário Jolly Rogers, o mesmo que encontrou o lendário Grande Tesouro, resolve navegar ao Oriente para vendê-lo a sultões, sem imaginar as calamidades que está iniciando no ato. A sobrevivente de um lobo marcado se prepara para atingir o último estágio da iniciação de seu coven, destravando conhecimentos místicos jamais atingidos. O último príncipe de Arzallum, isolado ao longo de cinco anos no Nunca, decide que é hora de voltar a Arzallum, confrontar erros do passado, e vingar a morte de um velho amigo nas mãos de um Mestre Anão. E Oz, o o Reino isolado em sua própria escuridão, resolve ser hora de tomar sua parte na História de Nova Ether, desencadeando acontecimentos que podem levar enfim à ascensão do verdadeiro Pendragon. E demonstrar que o mundo de Nova Ether como se conhecia não apenas mudou, como nunca mais será o mesmo.
Neste livro nós temos o encerramento da tetralogia Dragões de Éter, como prometido pelo o autor, temos todas as nossas dúvidas sanadas sobre os círculos que não tinham sido encerrados nos livros anteriores e questões que não haviam sido resolvidas.
A história se passa cinco anos após os eventos do terceiro livro. Vemos finalmente até que ponto a tecnologia dos gnomos avançou no Continente Ocaso e o que se seguiu com todo esse avanço tecnológico. Vemos ainda que as crianças agora são adultas bem formadas e que, com a idade, mais responsabilidades chegaram. Somado a isso, temos aqui, o retorno de Axel a Arzallum, bem como a descoberta do casamento de João e Ariane, e da existência de uma relação entre Maria e de seu até então namorado Casanova.
Nesse avanço de cinco anos, João já não é mais um cavaleiro em treinamento, mas sim um cavaleiro real oficial ao lado de seus amigos gêmeos Albarus e Andreos, bem como Jaú, que mesmo com medo diante da morte, para proteger sua Rainha, durante a guerra, permaneceu firme ao lado de seus amigos. Ariane agora é um mulher crescida e madura, que continua com seus estudos em relação a magia, mostrando agora domínio sobre seus poderes. Maria agora se mostra competente ao ponto de ser chamada para servir a coroa e o querido príncipe, amado pela plebe, se revela um homem diferente e maduro que contudo ainda procura vingar a morte de seu amigo, assassinado pelo Mestre Anão.
E, finalmente, também nos é mostrado o outro lado do mapa de Nova Ether, nos dando a oportunidade de conhecer o misterioso Continente Nascente, seu sultão, sua Rainha e, tudo isso, através do pirata Snail Galford, mais conhecido como o famoso Simbad e sua companheira Liriel Gabbiani.
Atrelado a isso, temos a tão aguardada e corrida busca pelo novo Merlim. Novos conflitos terão início por causa dele, e considerando o que ele representa, revelações nunca dadas antes são feitas. Nesse interim, reviravoltas acontecem de uma maneira que os leitores não esperavam, difíceis desafios são superados e conflitos com antigos inimigos do passado sombrio de João e Maria são enfrentados.
Agora vamos aos comentários, pode conter spoilers, então leia por sua conta e risco:
Primeiro, tenho que dizer que esperar treze anos pelo lançamento desse livro fez diferença. Todos erros que comentei sobre os livros anteriores foram corrigidos nesse. A grafia está boa, as pontuações com certeza estão muito melhores, inclusive, a parte em que falei sobre o uso do travessão lá no primeiro livro não se repete nesse, e pelo o que pude notar, os erros de digitação são poucos, mas, mesmo assim, aqui o autor falhou em acrescentar mais personagens e não conseguiu, novamente, dar o devido foco a todos eles.
Porém, tem algumas coisas que precisei voltar a analisar após ver alguns comentários dos leitores, que fizeram alguns questionamentos e tenho que dizer, que concordo com eles e é a partir daqui que os spoilers começam.
A questão de Maria, não vou dizer o que é, porque irá estragar a experiência da leitura, porém, assim como algumas pessoas disseram, fiquei esperando que alguma maga branca pudesse resolver os problemas de Maria, mas, não foi o que aconteceu. Ela apenas aceitou e não procurou saber com a madame Viotti se existia alguma solução para aquilo, e, se ela perguntou, em momento nenhum isso nos foi revelado no livro.
Ainda em relação a Maria, aqui nesse livro ela voltou a ter destaque. No terceiro, ela simplesmente foi resumida a uma disputa de ego entre dois homens, que não importa ao leitor, mas aqui ela voltou para mostrar que ela não é apenas a ex-prometida de Axel ou a namorada de Casanova, aqui ela mostrou ser extremamente competente, e o porque dela ter sido escolhida por Sabino como sua discípula, mostrando que ela é importante para o desenvolvimento da história.
Finalmente, o destino de Gabbiani e Snail se encontra com os personagens principais. Entretanto, achei forçada a história de ela ser a filha de um mago extremamente poderoso do jeito que foi. Além de que, não me desceu ela largar Snail pra trás para encontrar o pai tendo a ajuda de alguém que ela e Snail estavam perseguindo e, depois ficar fazendo drama dizendo que estava sozinha sem ele, quando foi ela que simplesmente foi embora.
Agora vamos falar sobre Livith. Novamente ela foi desaproveitada e quase não teve tempo de aparição no livro e, quando apareceu, foi apenas para ter o triste final que foi dado a ela no campo de batalha, além de que, quando Axel a viu pela última vez, nem procurou se vingar da bruxa que a machucou (isso porque ele dormiu com ela, era casado com ela, além do legado que ela deixou para ele, e a considerava uma amiga porque querendo ou não, era perceptível que ele tinha um carinho por ela !!!), infelizmente acho que a personagem foi pouco aproveitada e poderia ter tido um destino diferente.
Sobre a revelação que temos sobre Maria no capítulo doze, se tivesse sido feita antes da conversa de Maria com Casanova, ela teria tido mais peso emocional, isso, porque, como descobrimos junto com Casanova no momento em que ele estavam conversando, quando chega no capítulo doze, nós já sabemos o motivo e fica parecendo apenas mais um capítulo para preencher página.
Por fim, toda a história desde o segundo livro gira em torno do novo Merlim, que sequer aparece. A única coisa que ficamos sabendo é quem serão os pais do menino e pronto. Sendo assim, essas guerras foram em vão, porque a criança nem aparece (!!!!), e o mapa de Flint, que trazia a informação de onde o menino estaria, foi totalmente inútil, já que o lugar em que aparecia nele nem falava sobre o novo Merlim de fato.
Dito isso, minhas considerações finais:Para mim, esse livro foi de longe o melhor da tetralogia. Apesar das coisas que foram pontuadas, ainda assim ele conseguiu amarrar todas as pontas soltas e explicar de fato todas as dúvidas que foram surgindo nos outros livros.
Esse livro me prendeu de uma forma que os outros não conseguiram e, acredito que isso se deve ao fato de que as inconsistências que aparecem nos outros livros não acontecem aqui. Gostei muito do período que passei lendo ele e acho que algumas coisas que comentei nas outras postagens da saga (além de outras que não falei para não estragar a experiência), poderiam ser esclarecidas em um quinto livro e não foi apenas eu quem achei isso.
A evolução dos personagens e as revelações que me deixaram chocada foram bem pensadas e, quando eu pensei que tinha sacado todo o plot, o autor foi lá e me enganou, mostrando que o que eu achava estava errado e que era uma coisa completamente diferente.
Por fim, vamos dar a nota. Esse aqui para mim é 4 de 5 estrelas, não me arrependi em nenhum momento de ter lido ele e, confesso, até que fiquei triste quando a história chegou ao fim.
Recomendo muito que leiam (lembrando que, baseado nos comentários dos livros anteriores, se você teve dificuldades para ler até aqui, apenas ignore as coisas que incomodam e garanto que a leitura será até prazerosa).
Finalmente chegamos ao fim, foi um prazer acompanhar vocês nesses posts de Dragões de Éter. Um círculo se fecha e dá lugar a um novo, mas que agora continuará em outras histórias.
Até a próxima, e lembrem-se de andar pelas sombras!
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